Alvo de operação, fazenda da família Garcia foi retratada na série ‘Vale o Escrito’, sobre jogo do bicho
22/01/2026
(Foto: Reprodução) Operação mira furto de combustíveis de dutos da Transpetro no RJ
A fazenda que foi alvo de uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil nesta quinta-feira (22) foi retratada na série documental Vale o Escrito, sobre o jogo do bicho no Rio, em cartaz no Globoplay.
Segundo as investigações, a fazenda era utilizada para furtar dutos de petróleo da Transpetro e pertence à família Garcia.
O clã dominou parte do jogo do bicho nas Zonas Norte e Sul do Rio entre os anos 80 e 2000, quando uma série de assassinatos diminuiu o poder da família.
Fazenda da família Garcia retratada em Vale o Escrito foi alvo de operação da polícia e do MPRJ
Reprodução/TV Globo
Sobreviventes da família Garcia deram depoimentos na fazenda em Vale o Escrito: Sabrina Harrouche Garcia e Shanna Garcia, respectivamente a ex-mulher e uma das filhas de Waldomiro Paes Garcia, o Maninho, patrono do Salgueiro nos anos 90 e 2000.
O haras pertence a Shanna e Tamara, filhas de Maninho, e estava arrendado.
Shanna Garcia dando entrevista na série Vale o Escrito, da Globoplay
Reprodução/Globoplay
Haras da família Garcia em Guapimirim era utilizado para furto de petróleo, apontam investigações
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No mesmo local, surgiria uma figura impactante no crime organizado do Rio de Janeiro nas últimas décadas. Adriano da Nóbrega, conhecido como Capitão Adriano.
Anos após ser expulso do Batalhão de Operações Especiais, ele começou trabalhar no Haras da família Garcia e administrava o local, além de atuar como segurança da família.
De acordo com promotores e policiais, Adriano chefiava o chamado Escritório do Crime, grupo que reúne policiais e ex-policiais que cometem homicídios em troca de dinheiro.
Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope morto em 2020
Reprodução/TV Globo
Prejuízo chegou a R$ 6 milhões
O prejuízo com os desvios passa de R$ 6 milhões. Até a última atualização desta reportagem, 7 pessoas haviam sido presas.
Segundo as investigações, as perfurações ocorriam no interior do haras do clã, mas não há mandados contra ninguém da família nesta quinta, pois a polícia ainda não encontrou provas de que eles soubessem dos desvios no terreno.
Entre os suspeitos pelo furto estão os atuais arrendatários da propriedade.
Os presos
Caio Victor Soares Diniz Ferreira
Elton Félix de Oliveira
Jairo Lopes Claro
Leandro Ferreira de Oliveira
Patrick Teixeira Vidal
Washington Tavares de Oliveira
Davison Luiz Senhorini
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Segundo as investigações, as perfurações ocorriam no interior do haras do clã, mas não há mandados contra ninguém da família
Reprodução/TV Globo
Ações em 8 estados
Agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) saíram para cumprir 13 mandados de prisão e 16 de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Maranhão, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Sergipe.
“A operação teve início em 2024, a partir de uma prisão em flagrante por furto de petróleo ocorrido dentro de uma propriedade rural localizada em Guapimirim, conhecido como Fazenda Garcia, pertencente a uma família de contraventores conhecida do Rio de Janeiro”, afirmou o delegado Pedro Brasil.
“A partir dessa prisão em flagrante, iniciou-se uma investigação onde conseguimos desbaratar toda uma organização criminosa responsável pela extração desse material”, emendou.
Como era o esquema
De acordo com as investigações, o grupo possuía uma estrutura funcional, com divisão de tarefas, hierarquia operacional e articulação interestadual.
A polícia descobriu “um ciclo criminoso integrado”, que se iniciava com a perfuração clandestina do duto e a proteção armada do ponto ilegal. Depois, era realizado um carregamento rápido do petróleo em caminhões-tanque, que pegavam rotas interestaduais.
“O insumo era comercializado com notas fiscais falsificadas, emitidas por empresas de fachadas”, destacou a DDSD.
Galpão onde os combustíveis eram armazenados
Reprodução/TV Globo
Histórico de atentados
Herdeira do haras, Shanna Garcia foi alvo de disparos em frente a um shopping na Avenida das Américas, no Recreio dos Bandeirantes, em outubro de 2019. Ela teve pai, marido e irmão assassinados em episódios anteriores:
Waldomiro Paes Garcia, o Maninho, pai: o contraventor e ex-patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro foi assassinado em 2004.
Myro Garcia, irmão: morto em 2017.
José Luiz de Barros Lopes, o Zé Personal, 1º marido: executado em 2011.
ASSISTA AQUI AO EPISÓDIO DE ‘VALE O ESCRITO’ QUE FALA SOBRE AS MORTES NO CLÃ GARCIA