Como o apagão de mão de obra vira barreira para crescimento da economia do ES

  • 11/02/2026
(Foto: Reprodução)
Apagão de mão de obra: estudo da Findes aponta impacto em todos os setores da economia Vagas de emprego disponíveis e falta de trabalhadores para preenchê-las. Esse é um problema que o Espírito Santo enfrenta atualmente, o chamado "apagão de mão de obra". A constatação é resultado de um estudo realizado pela Federação das Indústrias do estado, a Findes. Segundo a pesquisa, a dificuldade para contratar profissionais é causada por diversos fatores e, por consequência, acaba impedindo o crescimento da economia capixaba. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A gerente executiva do Observatório Findes, Marília Silva, afirmou que, no estado, foram identificados três pontos principais que resultam no apagão: novas tendências do mercado de trabalho; economia aquecida; e problemas estruturais. Novas tendências do mercado de trabalho Não é novidade que as tecnologias têm transformado a forma de trabalhar no mundo todo. E no Espírito Santo não é diferente. Segundo a Findes, o desafio provoca uma necessidade de requalificação para que os trabalhadores adquiram novas habilidades para lidar com a modernização dos processos. Além disso, o envelhecimento da população traz mudanças. Com a transição demográfica, aumenta a demanda por serviços voltados para a população mais velha e a necessidade de absorver essas pessoas. "Se há uma escassez de mão de obra e uma população que está envelhecendo e disponível para trabalhar, é preciso passar, mais uma vez, por uma requalificação, preparação, para que essas pessoas também possam ocupar esses espaços", disse a gerente executiva. LEIA TAMBÉM: TRINDADE: Ilha inabitada mais distante da costa brasileira recupera vegetação após exterminar cabras que devastaram área verde EMBOSCADA: Vaqueiro é morto a tiros enquanto ia para o trabalho em fazenda no ES FACÇÃO: Criminosos se disfarçam de trabalhadores rurais para transportar drogas e até fugitivo da BA para o ES Outra tendência que o estudo destaca é uma questão comportamental. Marília explicou que a geração Z, nascida entre os anos 1995 e 2010, chega ao mercado de trabalho com novas necessidades, maior preocupação com questões de diversidade e propósito. A flexibilidade também é uma demanda dos jovens, mas, neste caso, converge com o que buscam os mais velhos que, por conta da pandemia, encontraram novas maneiras de trabalhar: "Na pandemia, quando boa parte dos trabalhadores conseguiu ir para a casa, fazer home office, se introduziu no mercado de trabalho uma flexibilidade que hoje o trabalhador acaba buscando também". Trabalhadores buscam flexibilidade introduzida no mercado de trabalho durante a pandemia de covid-19. Divulgação Economia aquecida O mercado de trabalho capixaba também responde de forma lógica ao desempenho da economia, que está aquecida. Com a população consumindo mais, há maior demanda por produtos e serviços e, consequentemente, a produção precisa aumentar. "Mas hoje a taxa de desemprego no Espírito Santo é de 2,6%. Ou seja, eu procuro o trabalhador, mas ele já está empregado. Seja no mercado formal, cuja demanda está alta, seja no mercado informal", disse Marília Silva. A informalidade, muitas vezes, responde à necessidade de serviços mais flexíveis e com pagamentos mais rápidos, explica a gerente executiva do Observatório Findes. Segundo ela, as questões abrem espaço para uma discussão importante: "Será que o modelo que temos hoje de contratação formal está atendendo às necessidades da população?", questionou Marília. Trabalhadora; mulher segurada Carteira de Trabalho e Previdência Social Agência Brasil Problemas estruturais Além das transformações pelas quais passam o mercado de trabalho, há questões estruturais que dificultam o preenchimento de vagas. Uma delas é a alta taxa de informalidade. Marília Silva cita dados: "Quase metade dos ocupados trabalha no mercado informal. A maioria das pessoas que estão fora da força de trabalho são mulheres, ou muito jovens, ou com idade superior a 60 anos, com escolaridade baixa". Para a especialista, o cenário exige atenção ao perfil da mão de obra disponível. É preciso garantir, por meio de políticas públicas, que as pessoas disponíveis consigam acessar o mercado de trabalho, mas também é necessária a disposição das empresas para contratá-las. "A gente sabe que muitas mulheres não vão para o mercado de trabalho por questão de afazeres domésticos, de idade, problemas de saúde. Então, é preciso suprir essa necessidade antes para que aquela mão de obra se converta em uma oferta e o empresário possa contratar", apontou. "É um casamento entre política pública, que permita que a população coloque o seu trabalho à disposição, e a disposição do empresariado de estar atento a essas tendências", completou a gerente da Findes. A solução apontada pela pesquisadora envolve, sim, a oferta de bons salários, mas não só isso. Marília destaca que são atrativos o ato de pensar no que é possível fazer para que as demandas dos trabalhadores sejam atendidas, a existência de um plano de carreira e a possibilidade de qualificação. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/02/11/como-o-apagao-de-mao-de-obra-vira-barreira-para-crescimento-da-economia-do-es.ghtml


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