De 'mato de comer' à alta gastronomia: agrônomo aposta em plantas comestíveis e duplica faturamento em 2 anos no ES

  • 12/04/2026
(Foto: Reprodução)
Conheça a produção das microverdes: miniplantas usadas na culinária Um produto extremamente delicado, colhido folha por folha e flor por flor, tem ganhado espaço na alta gastronomia e impulsionado um negócio no Espírito Santo. As chamadas plantas alimentícias não convencionais (PANCs), além de microverdes e flores comestíveis, viraram uma ideia lucrativa nas mãos do agrônomo Giliard Prúcoli. O cultivo é feito em Xuri, na zona rural de Vila Velha, na Grande Vitória, em um sistema de agricultura periurbana, uma transição entre a cidade e o campo. Parte da produção acontece em ambiente controlado e outra parte ao ar livre. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp O projeto deu tão certo que, em pouco mais de dois anos, o produtor conseguiu dobrar o faturamento. A aposta da empresa é um mercado ainda pouco explorado. Entre os produtos estão as PANCs, muitas vezes conhecidas popularmente como "mato de comer", como capuchinha, ora-pro-nóbis, taioba e azedinha. "A capuchinha é muito utilizada para decoração de pratos, mas também é rica em nutrientes e antioxidantes", explicou Giliard. Além das PANCs, a empresa produz microverdes, que são versões em miniatura de vegetais como couve, beterraba, mostarda e rabanete. Colhidos entre sete e 21 dias após o plantio, eles concentram altos níveis de vitaminas e minerais. LEIA TAMBÉM: CONHEÇA AS VARIEDADES: Flores comestíveis ganham espaço no prato e na horta ECONOMIA: Morango importado do Egito derruba preços e deixa fruta produzida no ES menos competitiva no mercado MUDAS PLANTADAS HÁ 18 ANOS: Parreira gigante produz 500 quilos de uva por ano, até 25 vezes mais do que uma videira comum CHOCOLATE DE CAFÉ? Produtores do ES investem no doce feito com grãos especiais Giliard e Jardel investem na produção de PANCs, microverdes e flores comestíveis no Espírito Santo Samy Ferreira/ TV Gazeta Crescimento Foi depois da criação do negócio que o empresário Jadiel Assunção passou a integrar a empresa e ajudar na expansão da produção. Com o crescimento da demanda, a estrutura inicial ficou pequena e foi necessário buscar um novo espaço, além de investir em melhorias no cultivo. "A casa que a gente tinha de produção ficou pequena. A gente precisou expandir. Antes de vir para cá, teve todo um processo de análise de solo, de água e de construção, para que tudo ficasse conforme tem que ser”, contou Jadiel. Cultivo de microverdes no Espírito Santo Samy Ferreira/ TV Gazeta Flores comestíveis A empresa também aposta nas flores comestíveis, que têm apelo estético e nutricional. Segundo os produtores, os itens são cada vez mais procurados, principalmente por chefs e restaurantes. “Tem um lado decorativo e tem um lado nutricional. Os microverdes, por exemplo, são indicados até por nutricionistas. Já as flores chamam atenção pela estética, mas também têm nutrientes”, explicou Jadiel. A produção segue práticas sustentáveis. O substrato utilizado no plantio é reaproveitado como compostagem, e as embalagens usadas na entrega são biodegradáveis. Atualmente, a empresa produz cerca de 4 mil unidades por mês, distribuídas no Espírito Santo e também enviadas para São Paulo. Flores comestíveis sendo produzidas no Espírito Santo Samy Ferreira/ TV Gazeta Da moda para o campo Antes de entrar no negócio, Jadiel trabalhava na área da moda. A mudança de carreira veio junto com a parceria com Giliard. "Eu falo que não saí da minha área. Eu trouxe a moda comigo. Moda é a forma como você se mostra para o mundo, e hoje a gente aplica isso no cultivo, nas variedades e no atendimento", disse. Entre os diferenciais da produção está o cultivo de espécies menos comuns, como o jambu, planta de origem amazônica conhecida por causar uma leve sensação de formigamento na boca. O ingrediente tem ganhado espaço na alta gastronomia. Em um restaurante de Vila Velha, por exemplo, as PANCs já estão presentes em metade dos pratos do cardápio. "Não é só estética. A gente usa para compor sabor, trazer acidez, amargor ou até um toque picante", explicou o sous chef Pedro Cardozo Thomazini. Cultivo de microverdes no Espírito Santo Samy Ferreira/ TV Gazeta Apesar de ainda causar estranhamento em parte do público, os produtores acreditam que o mercado está em crescimento. "À primeira vista pode parecer algo supérfluo ou caro, mas quando você entende o diferencial, passa a olhar com outros olhos", afirmou Giliard. Uso de microverdes e flores comestíveis na alta gastronomia, no Espírito Santo Samy Ferreira/ TV Gazeta Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/agronegocios/noticia/2026/04/12/de-mato-de-comer-a-alta-gastronomia-agronomo-aposta-em-plantas-comestiveis-e-duplica-faturamento-em-2-anos-no-es.ghtml


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