Exército prende três militares condenados no núcleo 4 da trama golpista; 2 estão foragidos

  • 10/04/2026
(Foto: Reprodução)
Exército cumpre prisões de militares condenados no núcleo 4 na trama golpista O Exército Brasileiro prendeu, nesta sexta-feira (10), três militares que integram o grupo de sete condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no núcleo 4 da trama golpista. Com isso, eles passam a cumprir de forma definitiva as penas de 13 a 17 anos de prisão a que foram condenados. Os réus foram condenados por disseminar notícias falsas para criar instabilidade institucional que favorece uma tentativa de golpe de Estado. O objetivo era manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder, apesar da derrota nas urnas em 2022 (entenda mais sobre a condenação abaixo). A ação ocorre após o relator do caso no Supremo, ministro Alexandre de Moraes, decretar também para este grupo o trânsito em julgado — ou seja, que não cabem mais recursos da defesa dos réus e a pena deve começar a ser cumprida de forma definitiva em unidades prisionais. Foram presos: ➡️Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército. Foi preso em casa, no Espírito Santo, e ficará preso no 38º Batalhão do Exército de Vila Velha (ES); ➡️Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército. Ficará no Batalhão do Exército em Brasília; ➡️Guilherme Almeida, tenente-coronel do Exército. Também cumprirá pena no Batalhão do Exército em Brasília. Núcleo 4 da trama golpista Reprodução/GloboNews A defesa de Ângelo Martins Denicoli disse repudiar o que chamou de "prisão açodada" do major da reserva do Exército, porque, segundo o advogado, ainda está pendente a análise de um recurso que foi apresentado contra a condenação do militar. Foragidos O coronel do Exército Reginaldo Abreu, que também deveria ter sido preso pelo Exército nesta sexta, está nos Estados Unidos e é considerado foragido. A defesa de Reginaldo Abreu afirmou, em nota, que o coronel deixou o país "de forma absolutamente legal, uma vez que, à época de sua saída, não havia qualquer ordem judicial restritiva". O militar deixou o país, conforme a defesa, no dia 3 de março de 2025. Ou seja, dias após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por envolvimento na trama golpista. "Atualmente, o coronel Reginaldo reside legalmente no exterior e, em contato recente com a defesa, informou que, neste momento, não há previsão de retorno ao Brasil", afirmou o advogado Diego Marques. O defensor disse ainda que Reginaldo Abreu entrou com pedido de asilo político nos Estados Unidos. Outro considerado foragido é Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, que estaria no Reino Unido. A prisão dele é responsabilidade da PF. Também condenado na ação, o agente da Polícia Federal Marcelo Bormevet está preso desde 2024. Com o trânsito em julgado, ele passa a cumprir a pena de forma definitiva nesta sexta (10). Trânsito em julgado ➡️Nesta semana, terminou o prazo para que as defesas apresentassem um segundo recurso questionando a condenação. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, entendeu que os recursos mais recentes apresentados pelas defesas se tratavam de medidas apenas para adiar as punições aos condenados, por isso, encerrou a fase de recursos e determinou a execução da pena. Após a decisão, coube ao Exército efetuar as prisões no caso de quatro dos condenados. Um deles está fora do país, por isso não foi preso. 🔎Militares da ativa possuem o direito de cumprir prisão provisória ou pena em estabelecimento militar, e não em presídios civis. A custódia é, portanto, de responsabilidade da própria Força, muitas vezes em unidades da Polícia do Exército. ➡️Por isso, no caso dos três militares, a responsabilidade da prisão é do Exército Brasileiro, e não da Polícia Federal (PF). A PF será responsável por prender os demais condenados que não são militares. Eles também devem ser encaminhados a presídios civis, enquanto os integrantes das forças irão para comandos militares. Ao todo, sete réus foram condenados no núcleo 4. Veja a lista: Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército ; Reginaldo Abreu, coronel do Exército (está foragido nos Estados Unidos); Marcelo Bormevet, agente da Polícia Federal (já está preso desde 2024 e passou a cumprir pena definitiva de forma automática); Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército; Ailton Moraes Barros, ex-major do Exército; Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (também está foragido, no Reino Unido); Guilherme Almeida, tenente-coronel do Exército. Condenação pelo STF Os réus foram condenados pelo Supremo em 21 de outubro do ano passado. Segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), eles usaram a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para espionar adversários políticos, criar e espalhar informações falsas contra o processo eleitoral, instituições democráticas e autoridades que ameaçavam os interesses golpistas. Veja as penas às quais cada um foi condenado: Ângelo Martins Denicoli Pena: 17 anos em regime inicial fechado; 120 dias-multa. Reginaldo Vieira de Abreu Pena: 15 anos e 6 meses em regime inicial fechado; 120 dias-multa. Marcelo Araújo Bormevet Pena: 14 anos e 6 meses em regime inicial fechado; 120 dias-multa. Giancarlo Gomes Rodrigues Pena: 14 anos em regime inicial fechado; 120 dias-multa. Ailton Gonçalves Moraes Barros Pena: 13 anos e 6 meses em regime inicial fechado; 120 dias-multa. Guilherme Marques de Almeida Pena: 13 anos e 6 meses em regime inicial fechado; 120 dias-multa. Carlos César Moretzsohn Rocha Pena: 7 anos e 6 meses em regime semiaberto; 40 dias-multa. Outras medidas: pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos. inelegibilidade de todos os réus. perda do cargo para Marcelo Bormevet (agente da PF; comunicação ao STM para a declaração de indignidade para o oficialato para Ailton, Angelo, Guilherme, Giancarlo, Reginaldo. encaminhamento da cópia da AP para o procedimento em que deve ser feita a retomada das investigações contra Valdemar Costa Neto.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/10/exercito-prende-tres-militares-condenados-no-nucleo-4-na-trama-golpista-2-estao-foragidos.ghtml


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