Funcionário de cooperativa é preso por alterar selfies de clientes e desviar R$ 2 milhões via Pix no ES
06/08/2026
(Foto: Reprodução) Operação prende 4 por fraude milionária contra cooperativa de crédito no ES
Um funcionário de uma cooperativa de crédito foi preso no Espírito Santo acusado de alterar as selfies de clientes para acessar contas bancárias e desviar dinheiro por meio de transferências via Pix.
Além dele, outras três pessoas foram presas por envolvimento no mesmo esquema que causou um prejuízo milionário à instituição financeira localizada no Sul do estado. A operação, realizada nesta quinta-feira (6), também prendeu a esposa do funcionário e dois amigos do casal.
📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp
Durante a ação, foram apreendidos dois carros, três motos, eletrônicos, joias e dezenas de cartões bancários, além de aproximadamente R$ 60 mil em espécie. A Justiça determinou, ainda, o bloqueio de R$ 2 milhões em bens do grupo, para garantir o ressarcimento à cooperativa.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações da Polícia Civil, o esquema criminoso teve início em janeiro deste ano e foi identificado pela própria cooperativa, que demitiu o funcionário, ressarciu os clientes e comunicou o fato às autoridades.
Para realizar os desvios, o investigado, identificado como Pedro Henrique dos Anjos, alterava a selfie das contas dos clientes por uma foto própria. Desta forma, ele acessava os valores e realizava transferências via Pix.
Em um único dia, no mês julho, o funcionário realizou 80 transações de R$ 10 mil cada, totalizando R$ 800 mil em desvios — movimentação atípica que chamou a atenção da cooperativa.
Pedro Henrique dos Anjos foi preso por liderar esquema que desviou mais de R$ 2 milhões de uma cooperativa de crédito do Espírito Santo.
Reprodução/TV Gazeta
LEIA TAMBÉM:
VITÓRIA: homem é linchado e preso após invadir casa de policial e assustar adolescente
BAIXO GUANDU: ônibus com mais de 30 universitários que saiu do ES para MG bate em caminhão na BR-259 e motorista morre
Segundo o delegado titular da Delegacia de Polícia de Marataízes, Thiago Gomes Viana, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de funções entre os integrantes e ocultando bens por meio da compra de veículos.
"A investigação deixou muito claro que esse funcionário fazia a mudança da selfie de alguns clientes e aí passava o dinheiro, na primeira vez para ele e nas outras vezes para os dois presos. A partir do momento que o banco identificou e demitiu ele, cessou a atividade criminosa", explicou.
Operação Avaritia
Pedro Henrique dos Anjos e os outros três investigados foram presos na manhã desta quinta (6) durante a Operação Avaritia. O funcionário e a esposa dele, Aline Dutra Ramos, foram localizados em Marataízes. Já os amigos do casal, Renner de Souza Ribeiro e Rodrigo Pontes dos Santos, foram presos em Itapemirim.
No cumprimento das ordens judiciais, os agentes apreenderam cinco veículos, entre ele um Hyundai HB20 e um Volkswagen T-Cross adquirido recentemente, além de mais de R$ 60 mil em dinheiro, aparelhos celulares, notebooks, joias, dezenas de cartões bancários, documentos e anotações que serão investigadas.
Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, a Justiça também determinou o bloqueio de valores superiores a R$ 2 milhões nas contas bancárias dos investigados, com o objetivo de garantir o ressarcimento dos prejuízos causados à instituição financeira.
"Eles adquiriram carros, motos, eletrodomésticos, joias, perfumes. O funcionário estava em uma pousada de luxo nas montanhas capixabas no último final de semana. [Eles] usavam esse dinheiro todo para benefício próprio", completou o delegado Thiago Viana.
Os investigados seguem presos e irão responder pelos crimes de furto qualificado mediante fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de capitais. Até a última atualização desta reportagem, a defesa dos presos não foi localizada.
Segundo a Polícia Civil, o nome da operação faz referência ao termo em latim avaritia, que significa "ganância" ou "avareza", em alusão ao objetivo dos investigados de enriquecer de forma ilícita.
Operação contra fraude em cooperativa apreendeu eletrônicos, cartões e R$ 60 mil em espécie no Espírito Santo.
Divulgação/Polícia Civil
O que diz a cooperativa
Por nota, a cooperativa de crédito Sicoob afirmou que a irregularidade foi identificada a partir de uma apuração interna e que nenhum cooperado foi prejudicado.
“Tão logo os fatos foram constatados, a instituição adotou todas as providências cabíveis em seu âmbito de atuação e comunicou o caso às autoridades competentes, com as quais colabora na apuração. O Sicoob esclarece, ainda, que nenhum cooperado foi prejudicado em decorrência do ocorrido, e reafirma seu compromisso permanente com a ética, a integridade, a transparência e a segurança de suas operações”.
Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo
Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo