Governo do ES diz que delegado exonerado criou 'centro paralelo de investigação'

  • 03/03/2026
(Foto: Reprodução)
Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo Reprodução/Sesp O Governo do Espírito Santo informou que o delegado Romualdo Gianordoli Neto, que atuou como subsecretário de Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública, criou um 'centro de investigação paralelo' para produzir relatórios com conteúdos que a alta cúpula da secretaria não tinha conhecimento. A declaração foi feita pelo delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, em coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (2). Também estavam presentes os secretários da Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno, e de Economia e Planejamento, Álvaro Duboc. À reportagem, Romualdo Gianordoli, negou as acusações e disse que não existe, nunca existiu e jamais existirá “Ciat paralelo”. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Essa foi a primeira vez, desde a exoneração de Gianordoli do Centro de Investigação de Análise Telemática (Ciat), em outubro do ano passado, que representantes do governo vieram a público explicar os motivos da saída. Desde janeiro, Gianordoli foi transferido e atua na Delegacia Especializada de Acidente de Trabalho (Deat), em Boa Vista II, na Serra, na Grande Vitória. O delegado comandou a prisão do traficante Marujo, em 2024. Provas de operação serão reanalisadas Na coletiva, foi anunciado ainda que todas as provas levantadas na Operação Baest, investigação concluída em setembro do ano passado sobre o braço financeiro do crime organizado no Espírito Santo, serão reanalisadas. Esquema que lavava dinheiro do tráfico com imóveis e carros de luxo é descoberto no ES LEIA TAMBÉM: PERDEU O CONTROLE: Motociclista morre ao cair em ribanceira no Sul do ES BATIDA: Motociclista morre ao ser lançado da Terceira Ponte e cair em ciclovia LINHA COM CEROL: Personal trainer sofre corte profundo no pescoço enquanto voltava do treino de jiu-jitsu O motivo de se colocar a apuração em cheque foi o depoimento do delegado à Corregedoria da corporação, em fevereiro deste ano, confirmando que o celular de um empresário da Serra investigado na operação continha conversas com o desembargador Macário Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), preso no Rio de Janeiro por suspeita de obstrução de investigação. De acordo com secretário Leonardo Damasceno, o relatório final assinado por Gianordoli e outros delegados em setembro do ano passado não fazia nenhuma menção aos diálogos ou ao magistrado. “Ele criou um Ciat paralelo. Agora, a Corregedoria quer saber dele. Por que fez isso por fora? O que o levou a fazer isso? Qual era a intenção? Qual era o objetivo? Por que não pediu ao Ministério Público e ao Poder Judiciário uma autorização para compartilhar as informações? Por que ficou de maio a setembro com esse material escondido? É isso o que queremos saber dele”, declarou Arruda. Segundo os representantes do governo, em situações onde há prerrogativa de foro envolvido de uma instância diferente em que o processo está tramitando, as informações não deveriam ter permanecido com o delegado. O que diz o delegado Procurado, Gianordoli negou as acusações e disse que não existe, nunca existiu e jamais existirá “Ciat paralelo”. “Essa narrativa é artificial, conveniente e absolutamente dissociada da realidade dos fatos”, declarou. O delegado afirmou que seguiu rigorosamente o mesmo padrão histórico adotado pelo Ciat, com tramitação física na fase investigativa inicial, com posterior digitalização para conversão em processo judicial eletrônico. “Tentar transformar isso em irregularidade é, no mínimo, desonestidade intelectual ou, no máximo, má-fé deliberada”, afirmou. Delegado Romualdo Gianordoli foi exonarado do cargo de subsecretário de Inteligência, em outubro de 2025. Espírito Santo Reprodução/PCES De acusações nas redes sociais a depoimento sobre operação No fim do ano passado, ao deixar o cargo de subsecretário de Inteligência, Gianordoli foi às redes sociais afirmar que teria sido exonerado com outros delegados do Ciat em razão de terem identificado, na Operação Baest, pessoas com supostas ligações com o governo do estado e, por isso, as investigações não teriam avançado. Na ocasião, afirmou também que a Polícia Civil se encontrava corroída. Por causa dessas declarações, a Corregedoria da PC abriu um inquérito e o convocou a depor em 2 de fevereiro deste ano. Nessa ocasião, o delegado revelou que havia finalizado o relatório da Operação Baest sem inserir os dados do telefone de um empresário da Serra investigado na ação policial em conversas com o desembargador Macário Júdice Neto. O secretário da Segurança Pública e Defesa Social, Leonardo Damasceno, e o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, falaram sbre o caso nesta segunda-feira (2). Vinicíus Zagoto A partir daí, surgiram especulações de que ele e os demais delegados haviam sido exonerados porque as investigações chegaram ao nome de Macário, o que foi negado pelo secretário de Segurança. No entanto, de acordo com Leonardo Damasceno, as exonerações ocorreram por quebra de confiança na relação do delegado com o chefe da Polícia Civil. “Ele saiu do Ciat levando os computadores com o conteúdo pertencente à Polícia Civil”, declarou Leonardo Damasceno. De acordo com José Darcy Arruda, as ferramentas usadas pelo Ciat são auditáveis. Portanto, o que é feito dentro da plataforma, a corporação tem acesso. Mas, nesse caso, o delegado-geral afirma que algumas informações foram feitas por outros caminhos e, por isso, o comando da corporação não conseguiu acessar. Dessa forma, no caso da Operação Baest, a Polícia Civil agora vai reanalisar tudo que foi levantado e avaliar se abre uma segunda fase para se aprofundar nos diálogos entre o empresário investigado e o desembargador, uma vez que esse conteúdo não foi inserido no relatório final, de acordo com o secretário de Estado de Economia e Planejamento, Álvaro Duboc. “Quando nós obtemos uma prova onde há prerrogativa de foro envolvido e que não é a instância em que o processo está tramitando, você faz um relatório, encaminha ao juiz e, se ele não tem competência, encaminha o caso para outra instância. Infelizmente, parece que isso não foi feito. Os delegados deveriam ter tomado essa providência tão logo tomaram conhecimento se haveria algo de ilícito na relação entre o empresário e o magistrado”, afirmou. O que dizem os citados Gianordoli afirmou que encerrou, com os outros delegados, de forma técnica e responsável, a primeira fase com os alvos já consolidados e solicitou o compartilhamento de provas para avançar à segunda fase. Disse ainda que seria uma irresponsabilidade funcional e uma violação frontal ao dever de sigilo incluir, no relatório final da primeira fase, os nomes dos investigados da fase seguinte. “Isso não é transparência. É sabotagem da investigação. É entregar o jogo, alertar alvos, destruir provas e garantir a impunidade. Só alguém completamente alheio à prática investigativa ou comprometido com outro tipo de interesse defenderia algo assim”, explicou. O delegado afirmou, por fim, que os investigadores fariam um relatório muito mais robusto, completo e aprofundado, mas isso foi inviabilizado pela desestruturação do núcleo investigativo. A defesa do empresário investigado na Operação Baest afirmou que as imputações são infundadas e têm interesse político e de autopromoção. Destacou ainda que, seis meses após a conclusão do relatório, não foi oferecida nenhuma denúncia nem houve instauração de processo penal. O Ministério Público do Espírito Santo e a defesa de Macário Júdice Neto foram procurados, mas não se manifestaram até a publicação desta reportagem. Casagrande e as mensagens com Macário Neto Nos últimos dias, o nome do governador Renato Casagrande foi relacionado ao de Macário Judice Neto após a Polícia Federal pedir abertura de um inquérito, devido a mensagens de WhatsApp trocadas com o desembargador. Após a repercussão, o governo estadual se posicionou e negou qualquer ilegalidade, afirmando que a conversa foi "republicana, institucional e preocupada com a instabilidade política de um município". Nesta segunda, o secretário de segurança, Leonardo Mamasceno, reforçou que as mensagens entre o governador e o juiz federal nada tem a ver com a operação Baest. Com informações de Vinícius Zagoto, de A Gazeta. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/03/03/governo-do-es-diz-que-delegado-exonerado-criou-centro-paralelo-de-investigacao.ghtml


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