Justiça suspende seis policiais militares que presenciaram execução de casal no ES e não fizeram nada

  • 17/04/2026
(Foto: Reprodução)
Policiais envolvidos na execução de casal de mulheres em Cariacica, Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta A Justiça do Espírito Santo determinou a suspensão dos seis policiais militares que estavam presentes no momento em que o cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale executou um casal de mulheres no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, na Grande Vitória. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (16), após pedido feito pelo Ministério Público do Estado (MPES). O afastamento preliminar não implica corte de salário, medida que só pode ocorrer em caso de condenação, após o pleno direito de defesa garantido pela Constituição. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Os policiais já haviam sido afastados das ruas e foram deslocados para função administrativa no dia 14 de abril. Eles também tiveram o porte de arma suspenso, medida que permanece valendo com a decisão da suspensão. Agora, os policiais estarão afastados de todas as atividades. Imagens mostram que os policiais estavam presentes quando Daniele Toneto, 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, 31, foram mortas a tiros pelo cabo do Vale, no dia 8 de abril. Elas eram vizinhas da ex-mulher do cabo e as três tinham se envolvido, pouco tempo antes, em um desentendimento. A decisão é da Vara da Auditoria Militar, da Justiça Estadual do Espírito Santo, responsável por julgar casos de crimes cometidos por policiais militares no estado. A medida é preventiva e tem como objetivo garantir o andamento das investigações sem interferências, além de preservar a ordem pública. O g1 teve acesso aos nomes dos policiais suspensos, são eles: Edson Luiz da Silva Verona - soldado Eduardo Ferro Coradini - soldado Filipe Gonçalves Vieira - soldado Hilario Antônio Nunes - cabo Lucas Nogueira Oliveira - aluno soldado Valfril do Carmo Carreiro - 3º sargento PMs envolvidos em execução de casal de mulheres em Cariacica são suspensos pela Justiça MAIS SOBRE O CASO: Casal de mulheres ligou para a polícia minutos antes de ser executado por PM no ES Execução de casal de mulheres por PM pode ter sido motivada por discussão sobre ar-condicionado Policial militar suspeito de matar casal de mulheres: o que se sabe e falta esclarecer sobre crime no ES 'Ele é um psicopata. Não pode estar armado, nem nas ruas', diz irmã de uma das mulheres executadas em Cariacica O cabo do Vale foi autuado por duplo homicídio e está preso desde o dia do crime, no Presídio Militar, que fica no quartel de Maruípe, em Vitória, sem previsão de liberação. O g1 não conseguiu contato com as defesas dos citados. A Polícia Militar foi procurada para falar sobre a situação dos militares depois da decisão da suspensão e não houve retorno. Imagens influenciaram pedido de suspensão Imagens de câmeras de segurança que passaram a circular nesta semana mostram que os agentes suspensos não reagiram nem tentaram impedir a ação do colega, no momento dos disparos. A versão apresentada por policiais militares no boletim de ocorrência sobre a execução do casal divergiu, em pontos importantes, do que mostram as imagens de uma câmera de segurança no local do crime. Confira as diferenças ponto a ponto. A repercussão do caso levou o governador do estado, Ricardo Ferraço (MDB), a se manifestar favorável ao afastamento dos policiais. A Polícia Militar, por meio da Corregedoria, solicitou à Justiça a adoção das medidas cautelares. Novo vídeo mostra momento em que policial militar atira em casal de mulheres em Cariacica De acordo com o Ministério Público, o caso apresenta circunstâncias excepcionais e envolve a apuração da conduta de agentes que teriam presenciado o crime sem adotar as providências esperadas no exercício da função. Para o órgão, a permanência dos investigados em atividade poderia comprometer a apuração. O MPES também solicitou a continuidade das investigações pela Corregedoria da Polícia Militar, com a realização de perícias, oitivas de testemunhas e elaboração de relatório final. 'Tinham que agir e não seguiram protocolo', diz comandante da PM Segundo o comandante-geral, coronel Ríodo Lopes Rubim, em entrevista nesta quarta-feira (15), os seis policiais que presenciaram a execução de duas mulheres em Cariacica não seguiram o protocolo da Polícia Militar do Espírito Santo que prevê intervenção em ocorrências que atentam contra a vida. “Os nossos protocolos, que são ensinados na academia, nas instruções, nas capacitações, preveem a intervenção em todo crime. Em toda tentativa contra a vida deve haver a intervenção dos nossos agentes, mesmo por parte de um colega ou quem quer que seja. Ali, eles tinham que agir”, afirmou em entrevista ao Bom Dia ES. Novo vídeo mostra momento em que policial militar chega e atira em casal de mulheres, no dia 8 de abril, em Cariacica, Espírito Santo Reprodução/Rede social O comandante ressaltou que havia um superior hierárquico ao cabo do Vale entre os policiais na ocorrência. "Então, é o que se espera do mais antigo: que tome as providências. Ele teria dado voz de prisão ao final, mas aí o crime já havia sido cometido. O que se esperava era uma atitude anterior dos nossos policiais", disse Rubim. Demissão do PM A Polícia Militar do Espírito Santo abriu um processo demissionário contra o policial. A informação foi confirmada pelo comandante-geral. “Já determinei a abertura do processo demissionário para o cabo do Vale, porque ele feriu a honra da instituição, o decoro, coisa com a qual nós não coadunamos. Nós saímos diariamente às ruas para proteger e servir as pessoas, então já está instaurado esse procedimento”, disse. Segundo o coronel, o prazo para a conclusão do inquérito militar é de 20 dias. No entanto, não houve precisão em relação ao período para a conclusão do processo demissionário. Procurada, a Associação das Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (ASPRA-ES) informou que o policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale não é associado. Foi disponibilizado um advogado para atender o cabo, mas depois ele seguiu com advogado particular. Cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale atirou e matou duas mulheres em Cariacica, Espírito Santo TV Gazeta Relembre o caso O crime aconteceu na noite do dia 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, na Grande Vitória. De acordo com a apuração, a ex-mulher do militar ligou para ele relatando uma discussão com o casal e dizendo que o filho dos dois também estaria envolvido na situação. Testemunhas contaram que as duas vítimas e a ex-esposa do policial moravam em andares diferentes. Segundo moradores, a ex-companheira do agente foi ameaçada pelo casal horas antes do crime. Ainda de acordo com testemunhas, a discussão começou por causa de um ar-condicionado. As mulheres trocavam acusações sobre um possível furto de energia, apesar de residirem em andares distintos. Na manhã de quarta (8), elas voltaram a discutir, e as vítimas teriam mencionado o filho que a ex-esposa do PM tem com ele. A ex-mulher do policial, que não quis se identificar, deu entrevista e apresentou a versão dela sobre o que aconteceu. "Elas testaram o meu limite, falando do meu filho de 8 anos, autista. Falaram que ele não seria autista, p**** nenhuma, porque ele estava jogando bola até altas horas da noite. Eu desci com uma faca. Nisso, juntaram as duas em cima de mim, me jogaram no muro, me bateram, puxaram o meu cabelo, quebraram a minha unha. A vizinha de baixo conseguiu separar a briga", disse a ex-esposa do PM. Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana foram mortas a tiros por policial militar em Cariacica, Espírito Santo Reprodução Segundo a mulher, foi nesse momento que ela decidiu ligar para o cabo do Vale. "Eu falei que não ia mais agir com as minhas mãos. Liguei para o meu ex-marido e pedi duas viaturas, porque elas estavam me agredindo e agredindo o nosso filho, que estava chorando dentro de casa. Então, ele veio", contou. Após a ligação, o cabo Xavier deixou o posto onde atuava em função administrativa e foi até o endereço acompanhado de outros policiais. Após a ligação, o cabo deixou o posto onde atuava em função administrativa e foi até o endereço acompanhado de outros policiais. Testemunhas relataram que houve uma discussão antes dos disparos. Daniele morreu no local. Francisca chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Após o crime, o policial foi preso. Infográfico - onde foi a execução do casal de mulheres no Espírito Santo Arte/g1 Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/04/17/justica-suspende-seis-policiais-militares-que-presenciaram-execucao-de-casal-no-es-e-nao-fizeram-nada.ghtml


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