Major do Exército condenado por trama golpista é preso em Colatina; saiba quem é Angelo Martins Denicoli
10/04/2026
(Foto: Reprodução) Exército cumpre prisões de militares condenados no núcleo 4 na trama golpista
O Exército Brasileiro prendeu, nesta sexta-feira (10), três militares que integram o grupo de sete condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no núcleo 4 da trama golpista. Entre eles, está o major da reserva capixaba, Angelo Martins Denicoli, condenado a 17 anos de prisão, em regime inicial fechado.
Major Denicoli foi preso em casa, no bairro Noemia Vitali, em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, por volta das 6h, onde cumrpria prisão domiciliar desde dezembro. Ele foi acusado de disseminar notícias falsas para criar instabilidade institucional e favorecer uma tentativa de golpe de Estado.
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Denicoli vai ser levado para 38° Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro, em Vila Velha, na Grande Vitória, onde cumprirá a pena. O local fica a cerca de 140 km da casa do réu.
Além do Major Denicoli, também foram presos nesta sexta (10) o subtenente Giancarlo Rodrigues e o tenente-coronel Guilherme Almeida. Os dois vão cumprir pena no Batalhão do Exército em Brasília.
Major da reserva do Exército Angelo Martins Denicoli, preso no Espírito Santo
Reprodução/ LinkedIn
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Um dos condenados, coronel Reginaldo Abreu, está foragido nos Estados Unidos.
A defesa do major Denicoli informou que repudia, com veemência, a prisão quando ainda pendente de julgamento recurso interposto com fundamento na Constituição Federal, no Código de Processo Penal e no próprio Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.
"Trata-se de medida extremamente gravosa, implementada antes do exaurimento das vias processuais cabíveis, em cenário que exige máxima cautela, estrita observância do devido processo legal e absoluto respeito às garantias fundamentais", manifestou o advogado Edson Fontes.
O major capixaba Angelo Martins Denicoli foi preso pelo Exército Brasileiro, em casa, no bairro Noemia Vitali, em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo
TV Gazeta
Quem é o major capixaba
O major Angelo Martins Denicoli é morador de Colatina, no Noroeste do estado, e formado pela Academia Militar das Agulhas Negras.
Ocupou cargo de direção no Ministério da Saúde, na gestão Eduardo Pazuello. No período, promoveu ataques e informações falsas contra a Covid-19 e as medidas sanitárias da pandemia.
Em fevereiro de 2024, o major foi alvo da operação da "Tempus Veritatis", da Polícia Federal, por suposta ligação à tentativa de Golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito nos ataques de 8 de janeiro de 2023.
Cerca de uma semana depois foi exonerado do cargo de assessor especial que ocupava, na ocasião, na Companhia de Processamento de Dados de São Paulo (Prodesp), empresa pública de TI do Estado de São Paulo.
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Reprodução/Facebook Angelo Denicoli
O indiciamento do major pela Polícia Federal aconteceu em novembro de 2024, junto a outros 37 nomes. Estavam na lista o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-integrantes do seu governo. Denicoli foi o único capixaba apontado nas investigações.
Em outubro de 2025, o major foi condenado a 17 anos de prisão em julgamento realizado STF, e teve a prisão domiciliar decretada em dezembro, pelo ministro Alexandre de Moraes, que também havia estabelecido outras medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica.
Sobre os condenados
Segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), os condenados no núcleo 4 usaram a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para espionar adversários políticos, criar e espalhar informações falsas contra o processo eleitoral, instituições democráticas e autoridades que ameaçavam os interesses golpistas.
Ao todo, sete réus foram condenados no núcleo 4. Veja a lista:
Ângelo Denicoli, major da reserva do Exército ;
Reginaldo Abreu, coronel do Exército (está foragido nos Estados Unidos);
Marcelo Bormevet, agente da Polícia Federal (já está preso desde 2024 e passou a cumprir pena definitiva de forma automática);
Giancarlo Rodrigues, subtenente do Exército;
Ailton Moraes Barros, ex-major do Exército;
Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (também está foragido, no Reino Unido);
Guilherme Almeida, tenente-coronel do Exército.
O major da reserva capixaba, Angelo Martins Denicoli, vai cumprir a prisão em regime fechado no 38° Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro, em Vila Velha, Espírito Santo
TV Gazeta
Militares da ativa possuem o direito de cumprir prisão provisória ou pena em estabelecimento militar, e não em presídios civis. A custódia é, portanto, de responsabilidade da própria Força, muitas vezes em unidades da Polícia do Exército.
Por isso, no caso dos três militares presos nests sexta-feira, a responsabilidade foi do Exército Brasileiro, e não da Polícia Federal (PF).
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