Médico é preso suspeito de tocar partes íntimas e fazer comentários sexuais a estudantes adolescentes em Vila Velha
25/09/2026
(Foto: Reprodução) Médico Augusto Henrique dos Santos Moraes, de 63 anos, foi autuado em flagrante por violação sexual mediante fraude e encaminhado ao presídio no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
O médico Augusto Henrique dos Santos Moraes, de 63 anos, foi preso nesta quinta-feira (24) suspeito de violar sexualmente um grupo de adolescentes em uma Unidade de Saúde da Família (USF), em Vila Velha, na Grande Vitória.
Segundo o boletim de ocorrência, uma das estudantes, de 17 anos, relatou que foi tocada nos seios e em outras partes do corpo durante uma consulta, enquanto outras quatro jovens teriam sido alvo de comentários de cunho sexual feitos pelo mesmo profissional.
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As adolescentes foram à unidade para realizar exames de aptidão física relacionados ao programa Jogos na Rede, da Secretaria de Estado da Educação (Sedu-ES).
O médico foi conduzido à delegacia e autuado em flagrante por violação sexual mediante fraude e encaminhado ao presídio. A advogada do médico, que também é esposa dele, preferiu não comentar o caso.
Denúncia
Segundo o relato da adolescente, enquanto as amigas eram atendidas por enfermeiras e compareciam ao consultório apenas para entregar o laudo, ela foi tocada de forma inapropriada nos seios e em outras partes do corpo durante o atendimento médico.
Em entrevista à TV Gazeta, a mãe da jovem contou que estava em casa quando recebeu uma ligação da coordenação da escola, pedindo que comparecesse à instituição porque algo havia acontecido com a filha.
Unidade de Saúde onde médico foi preso após importunar sexualmente grupo de adolescentes em Vila Velha, espírito santo
Reprodução TV Gazeta
Exames para participação nos jogos escolares
Ao saber que a filha havia ido à unidade de saúde para realizar exames exigidos para a participação nos jogos escolares, a mãe questionou se as adolescentes estavam acompanhadas por algum profissional da escola, mas foi informada de que tinham ido sozinhas.
“Ele [o coordenador] disse que, acima de 12 anos, pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, podem escolher ir sozinhos ou acompanhados. Eu não entendi o porquê. Ele virou para mim e falou que minha filha tinha sido aliciada pelo médico. Quando eu vi minha filha, ela estava em prantos e confirmou que o médico tinha passado as mãos nos seios dela e parece que tinha falado algumas barbaridades para as outras alunas”, relatou a mãe.
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Mãe questiona falta de acompanhamento da escola
Ainda segundo a mãe, após encontrar a filha, ela foi até a unidade de saúde e procurou o consultório do médico. Na ocasião, o suspeito atendia um casal, que, conforme o relato da mulher, teria reagido à presença dela e da adolescente.
“Esse casal infelizmente foi contra mim. Agrediu minha filha e nos empurrou para fora do consultório. Ficaram lá dentro com o médico”, contou.
A mãe contou ainda que foi informada pela coordenadora da unidade de saúde que o médico não poderia tocar na adolescente e que apenas as enfermeiras estavam autorizadas a realizar aquele procedimento.
"Eu questionei para a diretora: que absurdo é esse que adolescentes, no horário de aula, sem os pais autorizarem, vão ao médico? A gente achando que eles estão na escola, e eles entregam esses adolescentes nas mãos de lobos. Não relataram nada para mim, eu não assinei nada liberando", desabafou.
Mãe disse que filha foi aliciada por médico em unidade de saúde de Vila Velha, no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
A Guarda Municipal foi acionada após a ocorrência. Posteriormente, uma equipe da Polícia Militar compareceu ao local para prestar apoio.
Autuado em flagrante
O médico foi conduzido à Delegacia Regional de Vila Velha, onde foi autuado em flagrante por violação sexual mediante fraude e encaminhado ao presídio.
A advogada do médico Augusto Henrique, que também é esposa dele, preferiu não comentar o caso.
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Justiça do Espírito Santo (Sejus) afirmou que o médico não possui registros anteriores de passagens pelo sistema prisional.
Os nomes da escola e do bairro onde fica a unidade de ensino não estão sendo divulgados para preservar a identidade das menores de idade, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (Ecriad).
Médico teve agenda suspensa após episódio
Em nota, a Secretaria de Saúde de Vila Velha informou que, ao tomar conhecimento do episódio, a coordenadora da unidade de saúde acionou o botão do pânico e a Guarda Municipal de Vila Velha foi chamada.
Além disso, a pasta frisou que comunicou o caso ao programa Mais Médicos, do Governo Federal, do qual o profissional faz parte, e suspendeu preventivamente as agendas do médico na rede municipal. "A Secretaria aguarda agora a conclusão da investigação policial."
Viatura da Guarda Municipal de Vila Velha
Reprodução/TV Gazeta
Sedu diz que caso aconteceu fora do horário de aula
Questionada sobre os exames de aptidão física exigidos para a participação nos Jogos na Rede, a Secretaria da Educação (Sedu) informou que os estudantes só podem participar da competição mediante autorização dos pais ou responsáveis.
Segundo a pasta, o documento de autorização também informa expressamente a necessidade de apresentação de laudo médico para a participação nas atividades esportivas.
"Dessa forma, as famílias recebem previamente as orientações sobre os procedimentos e requisitos necessários para a participação dos estudantes na competição. No caso em questão, o exame de aptidão física foi realizado fora do horário de aula. Ao tomar conhecimento da situação relatada, a unidade escolar adotou as providências cabíveis e permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com os esclarecimentos necessários", informou a Sedu.
A Polícia Civil, a Polícia Militar e o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES) também foram procurados pela reportagem para mais detalhes, mas até a última atualização desta reportagem não haviam se posicionado.
Violência sexual mediante fraude
O crime de violação ou violência sexual mediante fraude, previsto no Artigo 215 do Código Penal Brasileiro, é caracterizado por "ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima".
Nesse caso, o crime envolve a relação de confiança entre paciente e médico e o uso de pretextos clínicos para praticar a violência sexual, sem que o paciente perceba a real intenção de imediato.
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