Pazolini propõe cortar até 30% dos cargos comissionados e ampliar proteção às mulheres no ES
15/10/2026
(Foto: Reprodução) Lorenzo Pazolini participa de entrevista no Boa Noite Espírito Santo, na TV Gazeta
O candidato ao Governo do Espírito Santo Lorenzo Pazolini (Republicanos) informou que pretende reduzir os cargos comissionados do estado para liberar recursos para investimentos em políticas públicas e defendeu ampliação de ações de proteção às mulheres.
“A Lei Maria da Penha é um exemplo para o país e para o mundo. O que nós precisamos agora? Tirar a Lei Maria da Penha do papel”, afirmou.
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As declarações foram feitas durante entrevista ao vivo ao Boa Noite Espírito Santo, da TV Gazeta, nesta quinta-feira (15), que abriu a série de entrevistas com os candidatos ao Governo do Espírito Santo no segundo turno das eleições. O candidato Ricardo Ferraço (MDB) será entrevistado nesta sexta-feira (16).
A ordem segue a posição dos candidatos na pesquisa. Cada candidato tem 30 minutos de entrevista e mais um minuto para considerações finais. As entrevistas também são transmitidas pelo g1 e pelo Globoplay.
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Em entrevista à TV Gazeta, Pazolini fala sobre feminicídio e segurança pública
Violência contra a mulher
Pazolini defendeu a ampliação de políticas públicas para proteger mulheres em situação de violência e afirmou que o Espírito Santo precisa colocar em prática as medidas previstas na Lei Maria da Penha.
O candidato citou um relatório do Ministério Público de Contas (MPC) que, segundo ele, aponta falta de investimentos estaduais em projetos de proteção às mulheres.
“Lamentavelmente, o Espírito Santo negligenciou a proteção das mulheres. Não é o candidato, não sou eu que estou dizendo, é o Ministério Público de Contas que está dizendo”, declarou.
Como exemplo de política pública, ele mencionou a Casa Rosa, serviço criado durante sua gestão como prefeito de Vitória. Segundo Pazolini, o espaço oferece atendimento médico, apoio educacional aos filhos das mulheres, proteção e qualificação profissional.
“Primeiro, nós temos que ter equipamentos públicos de proteção espalhados por todo o estado. Vou dar um exemplo: a Casa Rosa que nós criamos aqui em Vitória é um exemplo para o país”, afirmou.
O candidato também disse que, durante sua gestão, Vitória ficou 653 dias sem registros de feminicídio. Ele atribuiu o resultado a ações de geração de emprego e renda e à ampliação das escolas em tempo integral, que, segundo ele, passaram de quatro para 50 unidades.
Em entrevista à TV Gazeta, Pazolini fala sobre corte de cargos comissionados no governo
Corte de cargos comissionados
Questionado sobre como pretende pagar as propostas de campanha, Pazolini afirmou que o Espírito Santo tem aproximadamente 4,5 mil servidores em cargos comissionados.
“Se nós reduzirmos de 25% a 30% esses servidores, nós teremos 150 milhões a mais livres no orçamento para investir em todas essas políticas públicas. Ou seja, você vai qualificar o servidor e vai qualificar o gasto. Se houver redução do custeio, nós podemos chegar a mais de 20 milhões de sobra do orçamento para investir. Exatamente essa é a nossa forma de trabalhar: reduzir e racionalizar os gastos para entregarmos mais políticas públicas", explicou.
O candidato também estimou que a redução de despesas de custeio poderia gerar uma economia superior a R$ 20 milhões. Ele defendeu uma revisão dos gastos e criticou o aumento de cargos comissionados no governo estadual próximo ao período eleitoral.
“Não precisamos de cabide de emprego, não precisamos de pessoas desqualificadas na gestão”, afirmou.
Como exemplo, Pazolini citou a Prefeitura de Vitória. Segundo ele, o número de servidores em cargos comissionados na administração municipal caiu de aproximadamente mil para 500 durante sua gestão. Ele também afirmou que os servidores municipais receberam reajustes acumulados de 47%.
Apesar de apresentar estimativas de economia, o candidato não informou quanto custariam, no total, as propostas de campanha para áreas como saúde, segurança, educação e habitação.
Em entrevista à TV Gazeta, Pazolini fala sobre concursos policiais
Segurança pública
Pazolini criticou a estrutura das forças de segurança estaduais e afirmou que a Polícia Civil trabalha com aproximadamente metade do efetivo necessário. Sobre a Polícia Militar, citou um déficit de 2 mil policiais.
“O que o governo fez? Ao invés de fazer o concurso e nomear policiais para a Polícia Civil e para a Polícia Militar, a Polícia Militar tem um déficit de 2 mil homens. A Polícia Civil trabalha só com metade do efetivo”, declarou.
O candidato também criticou o que considera um aumento de cargos comissionados em detrimento da contratação de profissionais para os serviços públicos.
Ao ser questionado sobre concursos já aprovados e policiais em treinamento, respondeu que o governo teve tempo para reforçar as corporações.
Em entrevista à TV Gazeta, Pazolini fala sobre ligação de Flávio Bolsonaro e Vorcaro
Apoio a Flávio Bolsonaro
No início da entrevista, Pazolini foi questionado sobre a mudança de postura em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL), a quem passou a dar mais visibilidade na campanha do segundo turno. O candidato afirmou que considera o projeto do senador o melhor para o país.
“Nós temos a convicção e temos a consciência que o presidente Flávio Bolsonaro tem o melhor projeto para o Brasil”, disse.
Questionado sobre se se sentia confortável em receber o apoio de Flávio diante de uma investigação da Polícia Federal relacionada ao banqueiro Daniel Vorcaro, Pazolini defendeu o respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência. Ele não respondeu diretamente se se sentia confortável com o apoio.
Pazolini chega para entrevista no Boa Noite Espírito Santo; ASSISTA
Patrick Mizrahi
“Tudo tem que ser apurado, tudo tem que ser investigado, as pessoas terão a oportunidade de apresentar a defesa e, ao final, o Poder Judiciário vai decidir com muita tranquilidade”, afirmou.
Pazolini também disse que pretende procurar o presidente eleito para negociar investimentos para o Espírito Santo. Declarou acreditar na vitória de Flávio Bolsonaro, mas afirmou que dialogará com qualquer governo.
Infraestrutura
Entre as prioridades de infraestrutura, citou as rodovias federais BR-262, BR-259 e BR-101. Sobre a BR-262, afirmou que 13 pessoas morreram na rodovia no primeiro semestre e disse que já há dinheiro disponível para a duplicação.
“E o pior de tudo, o dinheiro está em caixa, tem dinheiro para duplicar e não foi duplicado”, afirmou.
Em entrevista à TV Gazeta, Pazolini fala sobre investimentos com o dinheiro público
Atendimento a pessoas em situação de rua
Na área social, Pazolini propôs ampliar para cidades-polo do Espírito Santo um modelo de atendimento a pessoas em situação de rua que funciona 24 horas por dia no bairro Santa Lúcia, em Vitória.
Segundo ele, o espaço reúne atendimento educacional, serviços de saúde, acompanhamento nutricional e qualificação profissional. O candidato também defendeu ações para reconstruir vínculos familiares e facilitar o retorno ao mercado de trabalho.
“O fundamental, é que nós hoje temos um centro que funciona 24 horas, um centro que cuida de qualificação profissional, que está ressignificando vidas”, afirmou.
Questionado sobre o fato de Vitória continuar registrando um número elevado de pessoas em situação de rua, Pazolini disse que a capital atrai pessoas em busca de comércio, serviços e oportunidades.
Ele também propôs ampliar os restaurantes populares para outros municípios. Durante a entrevista, afirmou que 14% dos capixabas vivem em situação de insegurança alimentar e nutricional.
“Por que só Vitória tem um restaurante popular? 14% dos capixabas hoje vivem em insegurança alimentar e nutricional”, declarou.
Pazolini faz considerações finais em entrevista à TV Gazeta
Educação e alfabetização
Pazolini defendeu parcerias com as prefeituras para ampliar a oferta de creches, melhorar a infraestrutura das escolas e garantir a alfabetização na idade adequada.
Ele afirmou que o governo estadual deve participar da construção de unidades de educação infantil, embora a oferta de creches seja responsabilidade dos municípios.
“Por isso eu falei aqui num governo municipalista, por isso a necessidade de transferir renda, transferir os valores. Nós temos convênios, de nós construirmos juntos com os prefeitos essas creches”, afirmou.
O candidato disse que, durante sua gestão na Prefeitura de Vitória, o percentual de estudantes alfabetizados na idade adequada passou de 28% para 80%.
Ele também defendeu a valorização salarial dos professores e a presença dos gestores nas escolas para acompanhar as condições de trabalho e de aprendizagem.
Outra proposta citada foi a possibilidade de ampliar a alimentação oferecida aos estudantes. Segundo Pazolini, Vitória implantou uma refeição extra para crianças que chegavam à escola com fome.
Em entrevista à TV Gazeta, Pazolini fala sobre moradia
Saneamento e moradia
Na área de saneamento, Pazolini prometeu uma gestão profissional da Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) e a ampliação do acesso à água potável e ao tratamento de esgoto.
“Nós vamos trabalhar para que essa universalização chegue, para que de fato você tenha acesso à água potável e para que o esgoto seja tratado”, afirmou.
O candidato disse que os investimentos poderiam ser feitos com recursos da própria Cesan, financiamentos e termos de cooperação. Questionado sobre quais municípios seriam priorizados, quanto seria investido até o fim do primeiro ano de governo e quantas pessoas seriam atendidas, não apresentou metas específicas.
Na habitação, Pazolini prometeu ampliar para os 78 municípios programas de construção de moradias e regularização fundiária. Ele citou o Casa Feliz e Segura, implantado durante sua gestão em Vitória, e defendeu a busca de linhas de financiamento e crédito, além de parcerias com a Caixa Econômica Federal.
O candidato disse que pretende priorizar famílias em situação de maior vulnerabilidade, como pessoas com deficiência, viúvas com filhos, mães solo e mães atípicas.
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