Professora é condenada por racismo após ofensas durante aula em faculdade de Vitória
15/05/2026
(Foto: Reprodução) Professora é condenada por racismo no ES
A professora universitária Juliana Zucolotto foi condenada por racismo devido a ofensas discriminatórias proferidas contra uma estudante de design de moda de uma faculdade particular em Vitória. O caso aconteceu em junho de 2022.
A pena de 1 ano e 9 meses de reclusão foi convertida em serviços comunitários e no pagamento de uma indenização no valor de cinco salários mínimos (R$ 8.105) à vítima.
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À época, a estudante Carolina Bittencourt publicou vídeos na internet relatando o caso. A ofensa se deu durante uma aula em que estudantes apresentavam trabalhos de conclusão do semestre sobre formas de vestir e estereótipos de diferentes culturas.
"Eu acabei de passar por um preconceito na sala de aula, pela professora Juliana Zuccolotto. Ela citou tatuagens e começou a falar da origem dela, que veio do presidiário, da prisão [...] ela pegou e falou assim que era muito feio tatuagem e que mais feio ainda era quem tinha pele negra e que parecia pele encardida, quem tinha pele negra e quem tinha tatuagem", disse a jovem em vídeo.
Decisão judicial
Segundo a decisão que condenou a professora, uma estudante que apresentava slides com fotografias de jovens negros moradores de periferia usando camisas de times de futebol, bermudas, chinelos e cordões disse que as tatuagens eram vistas naquele contexto como um acessório comum.
Saiba como denunciar casos de racismo e de injúria racial no ES
Diante da apresentação, a professora pediu que os alunos tatuados levantassem as mãos e Carolina e outros estudantes atenderam ao pedido.
Conforme a sentença, a docente olhou diretamente para a estudante e afirmou que "a origem da tatuagem é de presidiário. Acho ridículo, principalmente em peles negras, pois parece que a pele está encardida.”
Na mesma aula, a professora também declarou: “Quem tem pele marcada é escravo e eu não sou escrava para ter pele marcada.”
A decisão aponta ainda que Juliana perguntou a outra estudante se ela teria coragem de namorar um dos jovens negros e moradores de periferia exibidos nas imagens dos slides. Constrangida, a aluna respondeu que sim, mas a professora continuou com comentários discriminatórios e afirmou que não gostava da cultura de “pobres e favelados”.
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Em depoimento à Justiça, a professora negou ter cometido o crime de racismo e afirmou que não teve a intenção de ofender os alunos.
O g1 tenta contato com a defesa de Juliana. O espaço segue aberto para manifestações.
Denúncia
Aluna denuncia professora por injúria racial em faculdade do ES
Após o episódio, Carolina deixou a sala de aula e chamou a Polícia Militar.
A PM informou que foi acionada para verificar uma possível ocorrência de racismo e que, no local, a aluna relatou aos militares que, durante uma aula, a professora teria solicitado que quem tivesse tatuagem levantasse a mão.
Ainda segundo a PM, a aluna disse que levantou a mão e, a partir de então, a professora teria citado as características físicas da estudante e dito que "tatuagem em pele negra parecia encardido".
Os policiais abordaram a professora, que teria dito que somente fez "um comentário acerca da história do uso de tatuagem" e que fora "mal interpretada" pela aluna.
Segundo a Polícia Civil, a professora foi autuada em flagrante por injúria racial. Como a pena não ultrapassa quatro anos de detenção, a autoridade policial arbitrou uma fiança. A professora pagou a fiança e foi liberada para responder em liberdade. O valor da fiança não foi revelado.
Em seguida, Juliana foi afastada da faculdade: "A instituição informa que a professora está afastada de suas atividades e um processo administrativo já está em andamento para que todas as providências sejam tomadas", divulgou a Faesa.
Racismo e injúria racial
Entenda a diferença entre racismo e injúria racial
O crime de racismo atinge um grupo de pessoas – por exemplo, todas as pessoas de uma determinada raça.
Já a injúria racial é quando a honra de uma pessoa específica é ofendida por conta de raça, cor, etnia, religião ou origem.
Se o alvo do crime for todas as pessoas negras, por exemplo, ele se enquadra como racismo; já se a ofensa for direcionada a uma pessoa, e não à raça como um todo, é uma injúria racial.
Apesar das diferentes bases legais, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 8 votos a 1, que o crime de injúria racial pode ser equiparado ao de racismo e considerado imprescritível, ou seja, passível de punição a qualquer tempo.
Professora de faculdade particular foi condenada por racismo, no Espírito Santo.
Reprodução/Faesa
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