Sete PMs viram réus por presenciarem assassinato de casal de mulheres no ES e não fazerem nada; policial executor segue preso
02/09/2026
(Foto: Reprodução) Novo vídeo mostra momento em que policial militar atira em casal de mulheres em Cariacica
A Justiça Militar aceitou a denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES) contra sete policiais militares que presenciaram o assassinato de um casal de mulheres por outro militar em Cariacica, na Grande Vitória, em abril deste ano.
De acordo com a decisão, a qual o g1 teve acesso, os agentes irão responder por inobservância à conduta esperada e dois deles irão responder, também, por abandono de posto. Eles viram a ação do colega de farda e não fizeram nada para impedir.
📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp
Os militares denunciados são Hildebrando da Silva Santos, Edson Luiz da Silva Verona, Filipe Gonçalves Vieira, Lucas Nogueira Oliveira, Valfril do Carmo Carreiro, Hilário Antônio Nunes Loureiro Júnior e Eduardo Ferro Coradini.
Segundo a Corregedoria da corporação, eles permanecem afastados das ruas e desempenham apenas funções administrativas.
Entenda denúncia
Imagens de câmeras de segurança mostram que os policiais estavam presentes quando Daniele Toneto, 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, 31, foram mortas a tiros pelo cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, no dia 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul (assista acima).
As vítimas eram vizinhas da ex-mulher do cabo e as três tinham se envolvido, pouco tempo antes, em um desentendimento.
Seis policiais envolvidos foram suspensos, ainda em abril, após um pedido feito pelo Ministério Público do Estado. Na ocasião, o órgão destacou que o afastamento preliminar não implica corte de salário, medida que só pode ocorrer em caso de condenação, após o pleno direito de defesa garantido pela Constituição.
Policiais envolvidos na execução de casal de mulheres em Cariacica, Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
Saiba mais sobre esse caso:
Quem é o policial militar preso por executar casal de mulheres em Cariacica; seis PMs presenciaram crime e não fizeram nada
Justiça suspende seis policiais militares que presenciaram execução de casal no ES e não fizeram nada
'Ele é um psicopata. Não pode estar armado, nem nas ruas', diz irmã de uma das mulheres executadas em Cariacica
Casal de mulheres ligou para a polícia minutos antes de ser executado por PM no ES
A Corregedoria da Polícia Militar apurou o caso e enviou o processo administrativo ao Ministério Público, que concordou com as apurações e ofereceu denúncia à Justiça.
De acordo com o MPES, o crime de inobservância à conduta, a qual os acusados irão responder, ocorre "quando o militar, no exercício de sua função, deixa de cumprir normas que regem sua atuação e, com isso, causa prejuízo à Administração Militar".
O processo, agora, seguirá com a citação dos acusados e a apresentação das respectivas defesas. O órgão destacou, ainda, que a responsabilidade pelos homicídios é apurada separadamente, na esfera criminal. A defesa dos réus não foi localizada até a última atualização desta reportagem.
Policial executor segue preso
O cabo Luiz Gustavo Xavier do Vale, que atirou contra as vítimas, segue preso preventivamente. O inquérito da Polícia Civil ainda não foi concluído e, por isso, ele ainda não responde por nenhum crime.
Cabo da Polícia Militar Luiz Gustavo Xavier do Vale atirou e matou duas mulheres em Cariacica, Espírito Santo
TV Gazeta
Relembre o caso
O crime aconteceu na noite do dia 8 de abril, no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, na Grande Vitória. De acordo com a apuração, a ex-mulher do militar ligou para ele relatando uma discussão com o casal e dizendo que o filho dos dois também estaria envolvido na situação.
Testemunhas contaram que as duas vítimas e a ex-esposa do policial moravam em andares diferentes. Segundo moradores, a ex-companheira do agente foi ameaçada pelo casal horas antes do crime.
Ainda de acordo com testemunhas, a discussão começou por causa de um ar-condicionado. As mulheres trocavam acusações sobre um possível furto de energia, apesar de residirem em andares distintos.
Na manhã de quarta (8), elas voltaram a discutir, e as vítimas teriam mencionado o filho que a ex-esposa do PM tem com ele. A ex-mulher do policial, que não quis se identificar, deu entrevista e apresentou a versão dela sobre o que aconteceu.
"Elas testaram o meu limite, falando do meu filho de 8 anos, autista. Falaram que ele não seria autista, p**** nenhuma, porque ele estava jogando bola até altas horas da noite. Eu desci com uma faca. Nisso, juntaram as duas em cima de mim, me jogaram no muro, me bateram, puxaram o meu cabelo, quebraram a minha unha. A vizinha de baixo conseguiu separar a briga", disse a ex-esposa do PM.
Segundo a mulher, foi nesse momento que ela decidiu ligar para o cabo do Vale.
Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana foram mortas a tiros por policial militar em Cariacica, Espírito Santo
Reprodução
"Eu falei que não ia mais agir com as minhas mãos. Liguei para o meu ex-marido e pedi duas viaturas, porque elas estavam me agredindo e agredindo o nosso filho, que estava chorando dentro de casa. Então, ele veio", contou.
Após a ligação, o cabo Xavier deixou o posto onde atuava em função administrativa e foi até o endereço acompanhado de outros policiais.
Após a ligação, o cabo deixou o posto onde atuava em função administrativa e foi até o endereço acompanhado de outros policiais.
Testemunhas relataram que houve uma discussão antes dos disparos. Daniele morreu no local. Francisca chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. Após o crime, o policial foi preso.
Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo
Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo