Sociólogo que interpretou Jesus Cristo no Auto da Paixão é preso por injúria racial e ameaça em Vitória; veja VÍDEO
13/07/2026
(Foto: Reprodução) Sociólogo que interpretou Jesus Cristo no Auto da Paixão é preso por injúria racial no ES
Um homem de 47 anos foi preso em flagrante por injúria racial e ameaça contra um funcionário público de 40 anos na Avenida Anísio Fernandes Coelho, conhecida como Rua da Lama, em Vitória, neste domingo (12).
Vídeos feitos pela vítima (assista acima) mostram que o suspeito, identificado como Roberto Ferrante, proferiu xingamentos, disse que iria nocautear o jovem e o chamou de "preto, negro e burro".
Na manhã desta segunda (13), o homem passou por audiência de custódia e ganhou liberdade provisória sem pagamento de fiança (leia mais abaixo).
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De acordo com a Polícia Militar, uma faca foi encontrada e apreendida com o suspeito, que é sociólogo e interpretou, por mais de 15 anos, o papel de Jesus Cristo no Auto da Paixão na capital. Segundo testemunhas, ele teria usado o objeto para perseguir a vítima e ameaçar outras pessoas que estavam no local.
"Você é preto, negro e fora isso é um burro. Onde tem racismo aí? É a sua raça seu m*. Se você fosse um negro que tivesse orgulho, você daria a palma da sua mão pra ser escura também", disse o sociólogo em um dos vídeos feito pela vítima.
Suspeito arremessou cadeira e perseguiu vítima com uma faca
O caso teve início após a vítima presenciar o suspeito importunando uma pessoa LGBTQIAPN+ em uma fila de um posto de gasolina da região. Em entrevista ao g1, o funcionário público contou que passou a ser alvo das ofensas ao tentar intervir na situação.
“Eu pedi para ele parar e ele colocou a mão no meu ombro. Eu falei para ele não fazer isso, porque eu não gostava e ficava nervoso, e aí ele falou: ‘não pode colocar a mão no ombro do macaco?’. Foi quando eu comecei a filmar e aí ele não falou mais macaco, mas disse aquelas outras atrocidades”, explicou a vítima, que não quis se identificar.
O funcionário público disse, ainda, que o homem arremessou uma garrafa e uma cadeira em sua direção e o perseguiu com uma faca.
"Ele arremessou [a cadeira], mas não me feriu. Quando eu já estava longe, ele sacou a faca e correu atrás de mim. Machuquei um músculo tentando fugir", afirmou.
Sociólogo foi filmado por vítima de injúria racial e ameaça em Vitória, no Espírito Santo.
Acervo pessoal
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As agressões físicas e verbais duraram aproximadamente 40 minutos, segundo o funcionário público. A Guarda Civil Municipal de Vitória foi acionada e abordou o suspeito, que foi algemado e levado juntamente com a vítima para a Delegacia Regional do município.
Por nota, a Polícia Civil informou que o homem foi autuado em flagrante por injúria racial e ameaça. Ele foi encaminhado para o Centro de Triagem, localizado no Complexo Penitenciário Rodrigo Figueiredo da Rosa, onde segue preso.
De acordo com a Secretaria da Justiça, o sociólogo possui passagem pelo crime de dano e havia sido solto em janeiro de 2024. Durante a confusão, testemunhas relataram que Roberto disse que seria professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), mas a instituição negou a informação.
O funcionário público disse que pretende acompanhar o caso judicialmente.
"Infelizmente, eu estou chateado, mas não surpreso, pois já sofri racismo muitas vezes, mas não dessa forma tão violenta. Espero que ele fique preso e seja exemplo de que racismo e transfobia não têm mais vez no nosso país", lamentou.
Sociólogo é liberado sem fiança
Na manhã desta segunda (13), o sociólogo Roberto Ferrante passou por audiência de custódia. A juíza Raquel de Almeida Valinho decidiu pela liberdade provisória sem pagamento de fiança.
Porém, Roberto deverá cumprir algumas medidas cautelares, como a) proibição de sair da Grande Vitória sem prévia autorização do Juiz natural da causa; b) comparecimento a todos os atos do processo, devendo manter endereço atualizado; c) proibição de frequentar bares, boates, prostíbulos e assemelhados; d) proibição de manter qualquer tipo de contato com a vítima.
Caso o autuado descumpra qualquer condição imposta na presente decisão poderá ter decretada a sua prisão preventiva.
O g1 não conseguiu localizar a defesa de Roberto até a publicação desta reportagem.
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